À primeira vista parece uma pequena cidade como outra qualquer. Mas, olhando mais de perto logo se nota suas particularidades, começando pela união de dois países “separados” apenas pelo canteiro de uma avenida. Dois mundos, moedas, línguas e costumes diferentes utrapassam todos os dias as linhas físicas e culturais que os dividem. Rivera, no Uruguai, e Santana do Livramento, no Brasil, formam um só povo que absolveram as culturas dos dois países.
Nas ruas é comum ver uruguaios falando em espanhol e o brasileiros respondendo em português. Além disso, o portunhol é praticamente um terceiro idioma local. Pois, há palavras que foram criadas pela população fronteiriça que não existem em nenhuma das duas línguas.
A integração é tanta que em alguns momentos chega ser irônica. No dia 25 de agosto comemora-se a independencia da República Oriental do Uruguai. Nesta data o exército brasileiro entra em território uruguaio e juntamente com a tropa do vizinho desfila pela principal rua de Rivera, a Sarandi, para rememorar o dia em Uruguai tornou-se independente de Portugal e Brasil. Ou seja, o ex-colonizador comemora junto com o ex-colonizado a independência conquistada. Para retribuir a gentiliza os brasileiros também convidam os militares uruguaios para festejar a indepêndencia do Brasil, todo 7 de setembro.
Amantes do chimarrão e do churranco na brasa, uruguaios e brasileros sulistas são falam em rivalidade quando o assunto é futebol. Toda vez que as seleções dos dois países se enfrentam a fronteira é fechada . Tudo começou na década de 1980. No dia seguinte do Brasil ter sido eliminado pela França na Copa do Mundo de 1986, no México, as ruas de Rivera e Santana do Livramento ficaram tomadas de folhetos que traziam a imagem da taça de capeão. Mas não passava de uma provocação, pois na parte superior do troféu foi fundica com a imgem de um pênis e logo abaixo vinha a frase que dizia: “Se senta nele Brasil”, fazendo alusão ao slogan da seleção brasileira que era “70 neles Brasil”. Tudo isso causou muita confusão e até hoje é lembrado pelas pessoas das duas cidades. Por isso a fronteira fica fechada em dias de jogo das seleções de Brasil e Uruguay. No entanto, a rivalidade se resume ao futebol. Pois nos outros campos o que vê são dois países que vivem, não separados, mas unidos pela fronteira, por suas semelhanças e suas paixões.
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